CT e sindicato reagem

<em>Caixa</em> de apreensão

Depois da demissão de Mira Amaral e das reformas milionárias na CGD, veio a nomeação dos administradores que amanhã iniciam funções. Agora, o Governo quer usar o Fundo de Pensões para baixar o défice público.

A CGD é património nacional

Preocupação e revolta transpareceram nas primeiras reacções da Comissão de Trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos e do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD, que convocaram para ontem uma conferência de imprensa sobre estes problemas.

Haja respostas

A «gestão bicéfala», assente em António de Sousa e Mira Amaral, tinha sido oportunamente condenada pela CT, como esta recorda na carta-aberta que endereçou dia 22 ao ministro das Finanças e da qual deu conhecimento aos trabalhadores, ao Presidente da República, ao parlamento e ao primeiro-ministro. Na mesma ocasião foi pedida uma audiência ao governante que representa o accionista único, o Estado. A estrutura representativa de todo o pessoal da CGD recorda que, no seu boletim, chegou a afirmar, a propósito daquele sistema de gestão, que «sob a capa de algo déjà vu», construiu-se uma manta de retalhos, mais para servir interesses individuais ou de grupo, do que a própria CGD».
Invocando o direito reconhecido às comissões de trabalhadores pela Constituição, a CT da CGD solicita a Bagão Félix «informação detalhada». Pergunta, nomeadamente:
- quem assume a responsabilidade pelo modelo de gestão fracassado e pelos prejuízos que resultaram da falta de decisões sobre questões estratégicas;
- quais são as condições especiais de reforma em vigor para os administradores;
- quem e quando decidiu criar essas condições;
- o pagamento dessas reformas é um encargo da Caixa Geral de Aposentações ou o Fundo de Pensões dos trabalhadores da CGD;
- quais os custos que a CGD suporta com as reformas de administradores, incluindo o pagamento através da subscrição de planos-poupança reforma:
- que administradores se aposentaram durante a presidência de António de Sousa;
- quais os administradores reformados pela CGD com cargos públicos ou em grupos financeiros privados, acumulando remunerações;
- que contratos foram celebrados nesse período com empresas exteriores ao grupo CGD, designadamente nas áreas de informática e consultoria,
- que objectivos presidiram à compra do ramo não-vida da Seguros e Pensões, do grupo BCP, numa altura em que ainda não está consolidada a fusão das seguradoras da CGD (Fidelidade e Mundial);
- estão, o Governo e o ministro das Finanças, empenhados em defender a CDG como empresa com a totalidade do capital social pertença do Estado.

No Fundo...

Anteontem, em declarações aos jornalistas, Bagão Félix admitiu que a integração do Fundo de Pensões da CGD na CGA era uma hipótese em análise. A medida representaria a contabilização de 2,5 mil milhões de euros como receita extraordinária no OE, equivalente a 1,83 por cento do PIB, para manter o défice orçamental abaixo dos 3 por cento exigidos aos estados da UE. No ano passado, operação semelhante verificou-se com o Fundo de Pensões dos CTT.
Comentando as notícias sobre este assunto, o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD repudiou tal possibilidade e manifestou «a maior apreensão» face às consequências que teria tal medida. O STEC salienta que os trabalhadores «daquela CGD que é apenas a maior ou uma das maiores contribuintes para o OE não estão dispostos a ver o seu futuro e a estabilidade das suas pensões de reforma sacrificados a uma medida pontual e artificial, que nada vai resolver em termos de défice e que os deixa fragilizados».
Nota ainda o sindicato que o montante do Fundo de Pensões da Caixa «é significativamente superior às necessidades quanto ao défice». Logo, interroga o STEC, «qual será o destino da folga financeira que tal transferência possibilita?» E avança uma possibilidade: «irá servir a alguma medida eleitoralista do Governo?»
Com «espanto, indignação e preocupação» reagiu o STEC ao anúncio da composição da nova administração da CGD. «Como se não bastasse o escândalo da pensão atribuída ao administrador Mira Amaral, é absolutamente inacreditável e preocupante que uma instituição com esta responsabilidade esteja à mercê de arranjos partidários e interesses de grupo», refere o sindicato, numa nota à comunicação social.
Além da maior instituição financeira do País, a CGD tem ainda a responsabilidade, atribuída pelo Estado, de gerir a Caixa Geral de Aposentações.


Mais artigos de: Trabalhadores

«É uma vigarice!»

A CGTP exige o alargamento do passe social à travessia ferroviária da Ponte 25 de Abril, bem como a redução do imposto sobre o gasóleo face ao aumento dos passes sociais.

Mais aumentos nos transportes

Os sindicatos contestam a decisão do Governo de permitir que as transportadoras actualizem trimestralmente o tarifário dos transportes públicos. O primeiro aumento é já amanhã.

A proposta da Frente Comum

A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública apresentou em conferência de imprensa, na quinta-feira passada, a Proposta Reivindicativa para o próximo ano, onde exige a reposição do poder de compra dos trabalhadores e a inversão das políticas do Governo que têm prejudicado gravemente a qualidade na prestação de...

Trabalhadores em luta

Os trabalhadores da Refinaria de Leça da Palmeira manifestam-se hoje junto à Câmara Municipal de Matosinhos contra o encerramento da unidade, em estudo pelo Governo. Esta decisão foi aprovada em plenário, onde participaram mais de 300 trabalhadores.Durante o encontro, os participantes no plenário aprovaram, por...

<em>Prosegur</em>: jejum de protesto

Os 19 trabalhadores da Prosegur, em Torres Novas, despedidos ilegalmente, efectuam hoje mais meio dia de jejum, em protesto, frente à sede da empresa, em Lisboa, entre as 10 e as 22 horas, após, na sexta-feira, se terem concentrado também durante doze horas em jejum.O encerramento da filial de Torres Novas decorreu da...

A luta continua!

A administração da Universal Motors – ex-Efacec -, em Ovar, pagou os salários em atraso de Agosto. Falta ainda o subsídio de férias e a garantia dos postos de trabalho, confirmou ao Avante!, o delegado sindical, António Vinha.Foi o primeiro resultado de uma dura luta após, no dia 21, os trabalhadores terem impedido a...

Faleceu António Jubileu

Comunista, trabalhador vidreiro e participante activo do movimento operário de 18 de Janeiro de 1934, António Domingues Jubileu faleceu no dia 24 de Setembro, com 97 anos. «Contribuiu, com o seu exemplo, para honrar e engrandecer o nome e as tradições históricas e revolucionárias da Marinha Grande, que hoje se honra de...

Aniversário da CGTP-IN

Passam amanhã 34 anos desde a fundação da Intersindical. «Fiel à sua história, a CGTP-IN continuará a mobilizar e a unir, a propor e a negociar, a agir e a lutar», afirma-se no manifesto distribuído pela central nesta ocasião. Virado sobretudo para as questões actuais, o documento reafirma que «só assim, sempre com os...

Solidariedade comunista

Ilda Figueiredo, deputada do PCP no Parlamento Europeu, reuniu-se, no início da semana, com as trabalhadoras despedidas da Brax, à porta da empresa, em Aldeia Nova - Serzelo, Vila Nova de Gaia, para analise da actual situação e dar conhecimento das acções desenvolvidas, na defesa dos direitos das trabalhadoras.Recorde-se...

Ensaio na Saúde

Mais do que uma proposta de Acordo Colectivo de Trabalho para os Hospitais SA, o Governo «pretende desenvolver um “balão de ensaio” para, no futuro, aplicar a todas as instituições de Saúde», denunciou o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, cuja Direcção analisou a proposta governamental na semana passada. Face à...

Falta um novo modelo para colocação de professores

É «indispensável e urgente a aprovação de um novo modelo de concurso, que respeite o seu carácter público e nacional, que se oriente para a valorização dos quadros das escolas e que promova a estabilidade dos professores e educadores portugueses», defende a Fenprof.Num documento entregue na semana passada ao secretário...